Hora Santa Eucarística – Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo

Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo

Eucaristia: Dom e Compromisso, Vida e Missão.

Hora Santa Eucarística

Animador: Deus é amor. E a Eucaristia, sacramento do amor concreto, centraliza, manifesta e projeta, em forma material, a plenitude deste Deus de ternura e misericórdia, que assumindo nossa natureza, fez do pão e do vinho o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo. A Eucaristia, portanto, é dom maior de nossa vida, é força diária para exercermos bem nossos compromissos e alimento mantenedor de nossa missão que nos é apresentada, pelo seguro magistério da Igreja, para a qual somos enviados.

Essa Hora Santa Eucarística, que preparamos[1] para a Solenidade de Corpus Christi, nesse momento difícil de pandemia e distanciamento social, é um convite a viver a comunhão espiritual com o Cristo Eucarístico em família e como Igreja Arquidiocesana. Por isso, hoje, essa Adoração será realizada em todas as nossas paróquias e com o mesmo roteiro, expressando nossa unidade como Arquidiocese de Niterói.

A Eucaristia, que é essencial alimento para uma Igreja em saída, na consciência sólida de que somos membros de uma Casa Comum, há de trazer, neste momento dolorosodo nosso planeta, forças e esperanças, para eliminarmos momentos epidêmicos que podem também diminuir ou até eliminar nossas obrigações quanto à comunhão, vida eclesial de parceria, coragem para avançarmos mais e melhor sem preconceitos, vaidades, prepotências, arrogâncias e outras endemias espirituais e pastorais. O Senhor ressuscitado, manso e misericordioso, samaritano divino e eterno, estará atento, nos vendo, e nos acompanhando em nossas tarefas, provendo o pão em todas mesas, para abrirmos novos caminhos para a Igreja, não medindo esforços e nos possibilitando sonhos audaciosos, realizáveis não só para a nossa arquidiocese e para a Amazônia, mas para todo o planeta. O nosso coração machucado e aflito, neste período da história, há de encontrar, na Eucaristia, paz, cura e alegria. Tenhamos coragem e sigamos em frente.

Exposição do Santíssimo Sacramento como de costume.

Canto apropriado.

Momento de silêncio

(Pode, se achar conveniente, colocar um fundo musical instrumental apenas).

Primeiro Quarto de hora: Adoração e Contemplação

Dirigente: “Bendito seja o Deus Altíssimo … (cf Gn 14,20)

Leitor: Bendito seja Deus para sempre.

Dirigente: Senhor, o universo inteiro contempla e proclama a Vossa divindade, Vossa realeza e Vos adora. Ajudai-nos no crescimento de nossa fé para Vos ver sempre com maior clareza escondido nesta hóstia consagrada.

Leitor: Nós vos adoramos, mas queremos Vos adorar ainda muito mais.

Dirigente: “Eu farei chover para vós o pão do céu” … (cf Ex 16,4).

Leitor: Sabemos, Senhor Deus, que fizestes chover pão do céu para alimentar o Vosso povo no deserto. Quando nossa vida sentir-se desolada, ainda assim queremos contemplar a Vossa misericórdia e Vos adorar sem cessar.

Dirigente: “Vinde todos comer do meu pão e beber do vinho que misturei?” (Pr 9,5)

Leitor: Hoje, na Santa Eucaristia, pão e vinho se tornam o corpo e o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Esta maravilhosa realidade trazida pela visibilidade da transubstanciação nos faz ver, receber e nos alimentar plenamente do corpo vivo e ressuscitado de Jesus.

Dirigente: “O cálice da bênção, que abençoamos não é comunhão com o sangue de Cristo e o pão que partimos não é comunhão com o Corpo de Cristo?” (1 Cor 10,16)

Leitor: Esta, Senhor Jesus, é a máxima maravilha da nossa fé que ultrapassa nossos entendimentos humanos. É o dom maior de nossa vida, enquanto itinerantes do céu.  Na Eucaristia, vemos, com clareza, Deus, que é amor, porque o Senhor mesmo nos disse: “quem me vê, vê o Pai”.

Dirigente: Senhor Jesus Cristo, nesta Solenidade do Vosso Corpo e do Vosso Sangue, queremos fazer eco, com São Tomás de Aquino, nesse pouco do muito que ele escreveu:

Leitor: “Hoje a Igreja convida: ao pão vivo que dá vida, que vem com ela celebrar! Este pão que o mundo creia! Por Jesus, na Santa Ceia foi entregue aos que escolheu […] o que Cristo faz na ceia, manda a Igreja que o rodeia repeti-lo até voltar […] Faz-se carne o pão de trigo, faz-se sangue o vinho amigo: deve-o crer todo cristão […] Pão e Vinho eis o que vemos; mas ao Cristo é que nós temos em tão ínfimos sinais. Alimento verdadeiro, permanece o Cristo inteiro quer no vinho, quer no pão (sequência)” …

Momentos de silencio, canto de adoração, alguma oração espontânea alusiva ao tema deste quarto de hora, música instrumental bem baixinha, se quiser.

Segundo Quarto de hora: Gratidão e Ação de Graças

Dirigente: Senhor Deus, na magnitude da Vossa caridade por nós, manifestado no dom de seu Filho único, com o Deus do amor e da paz, fez cair continuamente sua graça, sobre nós e nos chama à comunhão com Cristo em perfeita união com o Espírito Santo. Conhecemos, portanto, que o nosso valor último e supremo é a Comunidade Trinitária. Esta realidade alcançada, somente pela fé, ultrapassa nossa compreensão humana e faz-nos voltar para Vós em perene ação de graças e com gestos de gratidão.

Leitor: Senhor Deus, queremos ter consciência para compreendermos, conforme diz Santo Agostinho: “Vós sois tão inexaurível (inesgotável) que quando encontrado ainda falta tudo para vos encontrar”. Diante de Vós, encontramos sempre um início, um novo como cada dia, no dia luminoso. Bendito seja Deus Pai, bendito o Filho Unigênito e bendito o Espírito Santo.

Dirigente: “Honra a vós, Jesus glorioso, que às alturas dos céus ascendeis. Com o Pai e o Espírito Santo” (Ritual do Culto Eucarístico fora da Missa) Eternamente Vos agradecemos.

Leitor: “A Jesus que nos ama, que por seu sangue nos libertou dos nossos pecados e que fez de nós um reino, sacerdotes para seu Deus e Pai, a ele glória e o poder, a eternidade. Amém”. (Ap 1,5-6)

Dirigente e Leitor: “Amém. O louvor, a glória e a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força, pertencem ao nosso Deus para sempre. Amém”. (Ap 7,12)

Dirigente: Pelo dom da Eucaristia, pelo sacramento da Ordem, pelos bispos, presbíteros e diáconos, pelo sacerdócio comum do povo de Deus, nós Vos agradecemos, Senhor.

Leitor: Nós Vos damos graças, Senhor.

– Proclamação da Palavra: 1Cor 10,16-17

Dirigente e Leitor: Senhor, nós Vos agradecemos pelo santo sacrifício da Missa oferecido nos altares de nossas paróquias e em todas as comunidades. E Vos agradecemos por Vossa presença em nossos sacrários, dia e noite; também Vos agradecemos por serdes nosso alimento que nos garante a vida eterna, conduzido em alimento e força para nossos irmãos enfermos. Do íntimo do ser cada um de nós, não há como não dizer com o Salmo: “Que poderei retribuir ao Senhor Deus por tudo aquilo que ele fez em meu favor?” (Sl 115,12).

– Proclamação do Evangelho: Jo 6,51-59

Dirigente: Queremos Vos agradecer pelo memorável dia, quando o Senhor, a partir dos últimos momentos aqui na terra, perpetua Vossa presença conosco, e, ao tomar o pão, disse:

Leitor: “Tomai, isto é o meu corpo”.

Dirigente: E tomando o vinho disse:

Leitor: “Isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos”.

Dirigente: Quanto amor por nós, ao imaginarmos, que, na Instituição da Eucaristia, lavastes os pés dos apóstolos, e, finalizando, Vos dirigistes para sofrer e morrer por nós. Por tamanho amor, digamos juntos:

Leitor: Graças e louvores. Que a Virgem Maria, os anjos e os santos entrem em uníssono conosco. Agradecidos somos a Vós, Senhor Jesus.

Pausa. Em silêncio, cada pessoa faça suas orações; música orquestrada, se conveniente for. Cantos diversos.

Terceiro Quarto de hora: Compromisso, Missão e Petição          

Dirigente: Os discípulos de Emaús insistiram com Jesus para permanecer com eles dizendo:

Leitor: “Ficai conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando”.

Dirigente: Jesus entrou para ficar com eles. Quando se sentou à mesa, tomando o pão, abençoou-o, partiu-o, distribuiu-lhes e quando ele desapareceu, um disse ao outro:

Leitor: “Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as escrituras?” (cf Lc 24,29-32).

Dirigente: Senhor Jesus Cristo, presente nesta hóstia consagrada com Vosso corpo, sangue, alma e divindade. Nesta solenidade, quando todos os anos saíeis pelas nossas ruas e praças aclamado e adorado, em procissão. Nesta altura de nossa história, fomos impedidos de tamanha honra, obrigados ao confinamento pela calamidade que assola o planeta e tira de nós a costumeira felicidade de podermos aclamar e adorar-Vos, em todas os recantos deste país. Queremos juntos assumir o compromisso de sermos mais transformados por Vós, onde quer que estejamos.

Leitor: Podermos amar-Vos mais do que antes e ser e fazer, para qualquer irmão, o que o samaritano fez para o homem ferido na estrada de Jerusalém para Jericó: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10, 33-34).

Dirigente: Dai-nos, Jesus, mãos que trabalhem para que não falte “pão em todas as mesas” (Congresso Eucarístico de Recife).

Leitor: Força, sabedoria, união e parceria para realizarmos uma Igreja em saída, na busca do Reino e consciência da Casa Comum.

Dirigente: A Eucaristia é vida e missão. Não há como comermos o pão da vida e não sairmos em missão. Nossos corações devem arder a exemplo dos discípulos de Emaús para irmos ao encontro dos irmãos buscando novos caminhos para a Igreja e com sonhos reais trabalharmos por nossa Arquidiocese inteira:

Leitor:  Que a Pandemia, ora acontecendo, possa fertilizar nossos corações e de lá fazer gerar a caridade sem limites; a bondade sem interesse de todo o clero para acontecer o antigo desejo sempre adiado do carinho e do perdão entre os padres, o espírito de serviço humilde dos diáconos, a busca de melhor crescimento dos seminaristas e todo o povo de Deus e que em tudo possamos dizer com o profeta Isaias: “Criai ânimo, não tenhais medo!”

Dirigente: Neste tempo de sofrimento, muitas lágrimas foram derramadas. Com a força, a fé e a esperança do profeta, trazemos para a presença do Senhor a certeza de que estas lágrimas hão de umidecer nossos corações, às vezes vacilantes, fechados e titubeantes, um grito apaixonado: “céus, deixai cair o orvalho; nuvens chovei o justo; abra-se a terra e brote o Salvador”. (Is 45,8)

Leitor: Sim, Jesus sacramentado, os sofrimentos, as dores, a fome, a desesperança, a falta de um leito para o irmão em agonia, as mortes que permeiam tantas lágrimas não podem passar despercebidas e cair no esquecimento. Olhando para a hóstia consagrada queremos carregar a nossa cruz e a cruz de nossos irmãos. Afinal, a fé nos faz ver e entender que a nossa cruz “é feita de dois riscos: sem estes dois riscos não se tem Jesus; um é vertical, o outro horizontal; o vertical eleva, o horizontal abraça”. (Pe. Zezinho)

Dirigente e Leitor: Senhor Jesus, vivo entre nós na Eucaristia, queremos reafirmar nossa incansável preocupação com nossos trabalhos pastorais, não medindo esforços em nossa contínua caminhada com nossos trabalhos missionários. Queremos estar atentos para conjugarmos contemplação e ação, alimentados pelo Vosso corpo e sangue. Sabemos que quando há poucos apóstolos, profetas e discípulos com muitas funções a missão pode ficar dificultada, com muitos cristãos que se afastam de suas obrigações evangelizadoras. Enfim, a Eucaristia é dom que necessariamente nos conduzirá ao cumprimento de nossos compromissos e missão. E assim teremos vida e vida em abundância.

Dirigente: Diante da dramática situação, elevemos com confiança e unidade, nossas preces a Jesus sacramentado:

– Por todos os doentes, de modo especial, os infectados pelo novo coronavírus,

Leitor: Ouvi-nos, Senhor!

– Pelos falecidos, vítimas dessa pandemia,

– Pelas famílias, que sofrem com os doentes e choram seus falecidos,

– Pelos profissionais da saúde e trabalhadores de serviços essenciais,

– Pelos pesquisadores e toda a comunidade científica,

– Pelos governantes e os que têm poder de decisão,

– Por todos os que se colocam a serviço da vida e dos mais vulneráveis,

– Pelo Papa e por toda a Igreja.

Último Quarto de hora:  Bênção com o Santíssimo Sacramento

Observação: Como já foram contemplados os três momentos de uma Hora Santa que são a presença da Palavra de Deus, silêncio e oração da comunidade (o texto foi dialogal) pode-se dar início ao Tão sublime sacramento, bênção, etc. Contudo é louvável, a proclamação dos textos bíblicos do dia. Ver diretório da Liturgia pagina 111, 11 de junho. Com breve homilia, caso o dirigente seja ministro ordenado.

Hino do Congresso Eucarístico de Campinas

Composição: Ir. Mirian T. Kolling / Dom Carlos Alberto Navarro

Venham, venham todos
Para a ceia do Senhor!
Casa iluminada
Mesa preparada
Com paz e amor
Porta sempre aberta
Pai amigo, aguardando, acolhedor
Vem do alto, por Maria
Este pão que vai nos dar
Pão dos anjos, quem diria!
Nos fará ressuscitar!

Canta a Igreja: O sacrifício
Que, na Cruz, foi seu início!
E, antes, Jesus quis entregar
Corpo e Sangue em alimento
Precioso testamento!
Como não nos alegrar?!

Para a fonte Eucaristia
Vai sedenta a romaria
Volta em missão de transformar
Cada um e todo o povo
Construindo um mundo novo
Como não nos alegrar?!

Fazei isto, foi a ordem
Morte e Vida nos recordem
Prova de amor é partilhar!
Há maior felicidade
No serviço e na humildade
Como não nos alegrar?!

Com a solidariedade
Renovar a sociedade
Pela justiça e paz lutar
Vendo o pão em cada mesa
Vida humana com nobreza
Como não nos alegrar?!

Pão é Carne verdadeira
Vinho é Sangue da Videira!
Possa tal fé se aprofundar!
Se o mistério é incompreensível
Nossa fé diz que é possível
Como não nos alegrar?!


[1] O roteiro dessa Hora Santa Eucarística foi elaborado pelo Monsenhor João Alves Guedes, a quem agradecemos pela disponibilidade e colaboração.